Hemoce alcança a marca de 200 mil litros de plasma enviados à Hemobrás para a produção de medicamentos essenciais para o SUS

5 de fevereiro de 2026 - 10:00 # # # #

Assessoria de Comunicação do Hemoce
Texto e Fotos: Emmanuel Denizard

O plasma pode ser utilizado no tratamento de diversas situações clínicas por meio da transfusão, como em casos de hemorragias graves, além de ser empregado na produção de hemoderivados

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), equipamento da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), alcançou a marca de 200 mil litros de plasma enviados à Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), vinculada ao Ministério da Saúde. O envio contempla o plasma que não é utilizado em transfusões, sendo destinado à produção de medicamentos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Enviado mensalmente pelo Hemoce, o plasma fornecido é utilizado na fabricação de hemoderivados como albumina, imunoglobulina e fatores VIII e IX de coagulação, fundamentais para o tratamento de pacientes com distúrbios hemorrágicos, imunológicos e outras condições clínicas.

O fornecimento iniciou-se em 2022, com a qualificação do hemocentro de Fortaleza, responsável pelo envio do material coletado na capital e no Hemoce Quixadá. Ainda no mesmo ano, a unidade de Sobral também passou a enviar. Em 2024, foi a vez do hemocentro de Crato ser qualificado, responsável pelo envio do material coletado em Juazeiro do Norte e Iguatu.

Com todas as unidades habilitadas, o Ceará tornou-se o primeiro estado do país a contar com uma hemorrede pública totalmente certificada para o fornecimento de plasma à Hemobrás, reforçando o compromisso do Hemoce com o fortalecimento da política nacional de hemoderivados e com a assistência à saúde pública.

“Fomos o primeiro estado do Brasil a ter toda a produção de plasma qualificada para envio, comprovando o rigor e a excelência dos nossos processos. A utilização integral do sangue doado, transformado em medicamentos (hemoderivados), possibilita a produção de insumos essenciais para o tratamento de diversos grupos de pacientes, como pessoas com coagulopatias hereditárias e com deficiência de anticorpos, atendidos pelo SUS em todo o Brasil”, explica Denise Brunetta, diretora técnica do hemocentro do Ceará.

O envio contempla o plasma que não é utilizado em transfusões, sendo destinado à produção de medicamentos essenciais para o Sistema Único de Saúde (SUS)

Plasma

O plasma é a parte líquida do sangue. Após a doação, ele é separado e congelado para preservar suas propriedades. Esse hemocomponente pode ser utilizado no tratamento de diversas situações clínicas por meio da transfusão, como em casos de hemorragias graves, além de ser empregado na produção de hemoderivados, como imunoglobulinas e fatores de coagulação.

Produção de hemoderivados

Frederico Monteiro, auditor e chefe do Serviço de Relacionamento com a Hemorrede (SRH) na Hemobrás, destaca que o encaminhamento do plasma excedente para fracionamento industrial é uma estratégia essencial para evitar desperdícios e garantir o uso racional desse hemocomponente, que também é matéria-prima dos medicamentos hemoderivados. Segundo ele, “o envio de plasma contribui diretamente para o fortalecimento da soberania e da segurança sanitária do país, ao permitir maior controle sobre a cadeia produtiva, desde a coleta até a disponibilização do medicamento ao paciente”.

O auditor destaca ainda que o envio regular e qualificado do plasma excedente é indispensável para viabilizar a produção desses medicamentos, cuja disponibilidade depende diretamente desse insumo. “Dessa forma, o envio de plasma excedente ao uso transfusional pelos serviços de hemoterapia brasileiros configura-se como um elemento estratégico para a autonomia, a sustentabilidade e a segurança do sistema de saúde, assegurando o acesso contínuo da população a medicamentos essenciais derivados do plasma humano”, completa.

Importância dos medicamentos

O Ceará tornou-se o primeiro estado do país a contar com uma hemorrede pública totalmente certificada para o fornecimento de plasma à Hemobrás

Os medicamentos produzidos com o plasma enviado são distribuídos aos pacientes do sistema público de saúde que necessitam desses hemoderivados, como portadores de hemofilia e de outras coagulopatias. “O fortalecimento da produção de hemoderivados no Brasil é um grande ganho para as pessoas que precisam desses produtos, especialmente para os pacientes do Programa de Coagulopatias Hereditárias”, afirma Luany Mesquita, diretora-geral do Hemoce.

Rafael Jeanderson, 39, é acompanhado pelo Hemoce desde os 9 anos de idade. O programador é portador de hemofilia A e já recebeu hemoderivados distribuídos pela Hemobrás. Atualmente, Rafael comparece semanalmente ao ambulatório de coagulopatias do hemocentro, onde realiza consultas com médicos hematologistas e recebe acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, além de fazer o uso do fator VIII de coagulação, medicamento essencial para a prevenção e o tratamento de sangramentos em pessoas com hemofilia A.

“Descobri que tinha hemofilia A grave após sofrer um acidente e ser encaminhado de uma unidade hospitalar. O uso do fator de coagulação me permite ter uma vida estável e me coloca em condições de igualdade com outras pessoas. Graças ao tratamento, posso praticar esportes e levar uma vida comum, algo que não seria possível sem o medicamento. É muito gratificante saber que as doações de sangue, além de beneficiarem pacientes que precisam de transfusão, também contribuem para a produção dos fatores de coagulação que garantem qualidade de vida como a minha”, agradece Jeanderson.